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Vacina pode evitar que cães com leishmaniose sejam sacrificados

11/06/2016

Desde 2012 o desenvolvimento da vacina vem sendo feita por pesquisadores da UFMG, Fiocruz e da Universidade Federal de Ouro Preto

Uma vacina que interrompe o ciclo de transmissão da leishmaniose pode reduzir drasticamente o número de cães sacrificados em Belo Horizonte. Em desenvolvimento por pesquisadores do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a imunização utiliza proteína do próprio mosquito-palha, transmissor da doença, para criar anticorpos no cachorro.

A intenção é que, ao se alimentar do sangue de um cão que esteja imunizado por essa vacina, o mosquito ingira anticorpos contra as próprias proteínas do inseto.

O estudo, pioneiro no mundo, utiliza essa proteína que transmite o protozoário para interferir no ciclo biológico dele. A vacina causa desequilíbrio no vetor e induz a diminuição do número de ovos, bloqueando a infecção no organismo dele. Assim, evita-se que o mosquito leve a doença a outros hospedeiros.

Proposta

A ideia é utilizar a vacina, inicialmente, em animais que já estejam infectados. “Com isso, o cão com leishmaniose visceral não teria importância na transmissão desse parasita e poderia ser submetido à medicação, sem causar impacto para a saúde pública”, diz o coordenador do projeto, Rodolfo Cordeiro Giunchetti, veterinário e professor do Departamento de Morfologia da universidade.

A eutanásia de cães infectados ainda é um dos procedimentos que compõem a estratégia adotada pelo Ministério da Saúde para evitar a transmissão da doença. Apenas nos cinco primeiros meses deste ano, 1.175 cães infectados por leishmaniose visceral já foram sacrificados pelo Controle de Zoonoses da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH).

Tratamento

Segundo Rodolfo Giunchetti, atualmente, “animais infectados com leishmaniose já são dados como mortos”. A vacina então, surge como uma alternativa à eutanásia. “Por vínculos afetivos, muitos donos têm resistência a sacrificar o animal de estimação. A vacina aparece como uma possibilidade de iniciar um tratamento”, frisa.

Não há tratamento reconhecido no país para cães infectados, apesar de algumas medicações existirem no mercado. “Com o uso dessas drogas, o cão, ainda que aparente melhora e não apresente momentaneamente os sintomas, mantém o parasito com uma grande chance de transmissão, ao ser picado pelo mosquito”, explica o pesquisador.

Eficácia

O presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado Minas Gerais (CRMV-MG), Nivaldo da Silva, afirma que nenhum medicamento para combater a doença é 100% eficaz.

“Os remédios amenizam alguns sintomas, dando por um tempo uma maior qualidade de vida ao animal. Porém, o tratamento é bastante prolongado. O animal deve usar o medicamente praticamente para sempre”, ressalta o veterinário.

Falta de verba para pesquisa barra a produção da imunização

A conclusão da pesquisa desenvolvida pelo Instituto de Ciências Biológicas (ICB) é bastante aguardada por profissionais da área. O presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de Minas Gerais (CRMV-MG), Nivaldo da Silva, acredita que o estudo pode mudar todo o paradigma da saúde pública em leishmaniose no Brasil.

“É uma ideia muito promissora e que altera a sistemática atual”, comenta. A vacina, porém, não tem data para ir ao mercado.

Tudo porque, para finalizar a pesquisa, é preciso mais verba, especificamente R$ 1, 5 milhão, dos órgãos de financiamento, como da Comissão de Aperfeiçoamento de Pessoal do Nível Superior (Capes) e também do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPQ), em nível federal, e da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig), que é estadual.

Recursos

Em nota, a Fapemig informou que dez projetos coordenados pelo professor Rodolfo Cordeiro Giunchetti foram financiados pelo órgão entre 2009 e 2015. Desses, nove são de pesquisas relacionadas à leishmaniose visceral canina. O outro é de apoio a participação em evento da área. Esses projetos receberam, ao todo, cerca de R$450 mil em investimentos. Recursos para novos estudos, conforme a Fapemig, são concedidos por meio de editais.

A reportagem entrou em contato com o CNPQ, mas não recebeu resposta até o fechamento desta edição.

Resistência ao medicamento é causa da proibição

O presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de Minas Gerais (CRMV-MG), Nivaldo da Silva, explica que a resistência do mosquito transmissor ao medicamento usado em pessoas para o tratamento da leishmaniose é o motivo da proibição da aplicação do fármaco em animais. “A orientação do impedimento do tratamento vem da Organização Mundial de Saúde (OMS) e preconiza garantir primordialmente a saúde dos seres humanos. Os cães são tão vítimas da doença quanto nós. Porém, eles são como reservatórios da doença. É uma questão de saúde pública”, diz. A droga usada para tratar a leishmaniose no ser humano é comercializada com o nome de Glucantime. No entanto, o cão excreta mais de 90% desse remédio já na primeira hora de aplicação, impedindo que o medicamento atue de forma eficiente no organismo do animal.

Atuação do vetor no ser humano

De acordo com o pesquisador Rodolfo Cordeiro Giunchetti, veterinário e professor do Departamento de Morfologia da UFMG, diferentemente da forma como se manifesta nos cães, no ser humano o parasito não fica na pele, mas em órgãos viscerais, como medula óssea, baço e fígado. O homem é um simples hospedeiro acidental, que acaba se infectando. Desse modo, quem mantém o ciclo no ambiente urbano é o cão, e, exatamente por isso, uma das ações de controle é a eutanásia”, explica Giunchetti.

Fonte: Hoje em Dia



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