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Proposta de combate à leishmaniose enfrenta resistência do Ministério da Saúde

22/09/2015

Tema foi discutido em reunião da CPI que investiga maus-tratos contra animais

O secretário de Vigilância do Ministério da Saúde, Antonio Carlos Figueiredo Nardi, afirmou, nesta terça-feira (22), que a criação de uma política nacional de vacinação contra a leishmaniose animal é de difícil execução. A medida está prevista no Projeto de Lei 1738/11, do deputado Geraldo Resende (PMDB-MS), que foi discutido em audiência pública promovida pela CPI dos Maus Tratos de Animais.

A proposta, em análise na Câmara dos Deputados, torna obrigatória a vacinação anual e gratuita de cães e gatos contra a leishmaniose em todo o País, a exemplo do que já ocorre no caso da raiva.

Segundo Nardi, entretanto, o valor estimado para implementar essa política apenas nos 150 municípios com mais ocorrências da doença seria de R$ 200 milhões por ano, quantia que, de acordo com ele, é muito alta para uma vacina que ainda não tem efetividade comprovada. “A vacina não foi registrada [no ministério] porque traz uma margem de segurança dúbia e ampla, entre 35% a 85%. Seria uma inconsequência de gestão adotar a padronização”, argumentou.

Prevenção
Já o deputado Mandetta (DEM-MS) defendeu o projeto. Ele afirmou que, a cada R$ 1 gasto com prevenção de doenças em humanos, o governo economiza R$ 27 de despesas médicas que poderiam vir da contaminação.

O representante do Executivo destacou, por sua vez, a importância de estabelecer parcerias entre os entes federados para enfrentar a leishmaniose. “O combate às zoonoses não é exclusividade do Ministério da Saúde. Estados e municípios também devem se responsabilizar, inclusive quanto às finanças”, afirmou Nardi.

Apesar de infectar primariamente animais, o homem pode ser contaminado pela leishmaniose se estiver presente em uma área endêmica. A transmissão se dá por meio da picada de um inseto, conhecido como mosquito palha em algumas regiões. Não há contágio direto de pessoa para pessoa e o mosquito só transmite a moléstia se tiver picado um animal infectado.

Experiência
Durante o debate, Mandetta relatou as dificuldades enfrentadas por ele no combate à leishmaniose canina quando era secretário de saúde de Campo Grande (MS). “Fomos de casa em casa fazer o levantamento da população de cães. Coletamos o sangue e fizemos a análise de 100% dos animais. Os que possuíam a doença eram encoleirados para proteger os demais”, lembrou.

ÍNTEGRA DA PROPOSTA: PL-1738/2011

Fonte: Agência Câmara Notícias



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