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Em Montes Claros, corpo de jacaré encontrado com sinais de violência no zoológico passará por necrópsia

27/11/2017

Suspeita é que criminosos tenham invadido o local e ferido o animal com um arpão, lança utilizada em pescas; Polícia Civil irá investigar o caso.

Um jacaré-de-papo-amarelo foi encontrado morto e com sinais de violência no zoológico de Montes Claros, no Norte de Minas, na última sexta-feira (24). O animal vai passar por necrópsia na próxima terça (28) para emissão do laudo da causa da morte. A suspeita é que criminosos tenham invadido o local e ferido o animal com um arpão, lança utilizada em pescas.

“O Jacaré – Caiman latirostris – é naturalmente agressivo e ele atacaria qualquer pessoa que entrasse no recinto; por isso, suspeitamos do uso do ‘arpão’. No entanto, só a perícia, que será feita por uma profissional com experiência irá confirmar a causa da morte. No laudo, também haverá exame toxicológico para avaliação de envenenamento”, explicou a bióloga responsável pelos animais do zoológico, Thallyta Maria Vieira. O corpo do jacaré está congelado para preservação dos órgãos e tecidos.

Esta não é a primeira vez que tratadores encontram animais com sinais de violência recente. No boletim de ocorrência registrado pela Polícia Militar sobre a morte do jacaré, consta que o zoológico já foi invadido outras vezes, incluindo uma tentativa de pesca no ambiente dos macacos, e que não há vigias noturnos. O Secretário de Defesa Social, Anderson Chaves, explica como é feita a segurança.

“A segurança do complexo – Parque Municipal e Zoológico – acontece durante o horário de funcionamento do parque, das 8h às 22h, com guardas municipais no local; ha uns 20 dias, nós ampliamos a segurança, mas, como o parque é muito grande, priorizamos a parte de maior visitação. No período da noite, as viaturas fazem rondas ostensivas. É importante dizer que hoje foi publicado no Diário Oficial do Município a instauração da comissão de investigação social para convocarmos novos guardas que passaram no concurso e ainda não foram chamados. Teremos mais efetivo”, informou.
O caso será investigado pela Polícia Civil.

Tratamento
O jacaré que morreu foi entregue ao zoológico de Montes Claros há mais de trinta anos pelo Ibama e convivia com outros dois jacarés no mesmo recinto. Ele pesava aproximadamente 150 quilos e fazia exercícios regulares para manutenção da saúde. Além de ter uma dieta específica, o animal se alimentava de peixe, carne bovina e frango. De acordo com a bióloga, os animais do zoológico são cuidados por médicos veterinários e zootecnistas, e os recintos atendem as normas do Ibama.

“Todos os animais recebem alimentação de alta qualidade, com certificação da vigilância sanitária. As carnes são embaladas a vácuo e refrigeradas. Nós, do zoológico, trabalhamos para o bem-estar destes animais que, geralmente, chegam ao zoo com sinais de maus tratos. A origem deles são de situações de apreensões da Polícia Ambiental, atropelamentos. Estes animais silvestres – que não conseguem sobreviver no habitat – são cuidados e preservados”, reforça.

A bióloga ainda explica que são realizadas adaptações no recinto para simular o ambiente de origem dos animais. Atualmente, 105 animais, entre mamíferos, répteis e aves, são cuidados e moram no zoológico.

“Colocamos folhas no chão para os animais sentirem a textura diferente do piso, simulamos queda de água para estimular a sonoridade de uma cachoeira. A comida é colocada em locais estratégicos para simular caçada livre. Ou seja, o conceito de apenas exposição de um animal não existe. Hoje trabalhamos educação ambiental, preservação da espécie e pesquisa para o bem-estar deles”, informou.

Fechamento
Em janeiro deste ano, o zoológico foi fechado sem perspectivava de reabertura. Na época, o Secretário de Meio Ambiente informou que 60% dos funcionários contratados do zoológico haviam sido demitidos pela administração e que teria de reformar ambientes, recintos e placas. A Secretaria e os demais órgãos ambientais estão em reunião, nesta segunda-feira (27), para definir a situação do zoológico.

Quem gosta de frequentar o Parque Municipal, sente falta de ver o zoológico em funcionamento. É o caso do professor universitário Geraldo Alemandro, que visita o espaço há aproximadamente 30 anos.
“O parque e o zoológico sempre foram importantes opções para a educação ambiental da população. A primeira vez que eu fui ao local foi em 1988 foi com o meu pai. E eu fazia o mesmo com minhas crianças; brincadeira e consciência ambiental no mesmo ambiente. É triste ver a falta de investimento na segurança e estrutura do local. Mais triste, ainda, em saber que alguém é capaz de matar um animal indefeso”, disse.

Espécie
O jacaré-de-papo-amarelo é uma espécie ameaçada de extinção e pode atingir 3 metros de comprimento. Mas esse tamanho é raro, normalmente eles medem 1,5 mt a 2 mt. Esses animais exibem traços herdados dos antepassados. É um réptil, contemporâneo dos grandes dinossauros, que habitavam a terra há milhões de anos e que conseguiu sobreviver às grandes transformações do planeta.
Atualmente, estima-se que existam cerca de 10 mil jacarés do papo amarelo em todo Brasil, sendo que a maioria se encontra no Nordeste.

Por G1 Grande Minas



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