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Abate de animais não é solução para reduzir leishmaniose

17/08/2017

Médico veterinário condena extermínio e defende políticas de prevenção e campanhas educativas.

Além de antiético e desumano, o simples extermínio ou abate em massa de animais está longe de ser uma forma eficiente de controle da leishmaniose na população de cães e gatos. Políticas públicas voltadas para o investimento em vacinas, inseticidas e campanhas educativas, sobretudo nas comunidades pobres, poderão gerar resultados muito mais eficientes, com vantagens sobre o controle dos vetores que transmitem a doença que atinge tanto animais quanto humanos.

A defesa foi feita pelo médico veterinário e professor da PUC Minas Vitor Márcio Ribeiro, durante audiência pública da Comissão Extraordinária de Proteção dos Animais da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), nesta quinta-feira (17/8/17), sobre o aumento da incidência de leishmaniose no País e no Estado.

Segundo o professor, principal convidado da reunião, há evidências científicas de que medidas preventivas como o diagnóstico e o tratamento precoce da leishmaniose, assim como o combate ao vetor, estão entre as ações mais eficientes de controle em todo o mundo.

“Os animais não podem ser descartados. Nossa gestão pública, durante muito tempo, lidou com os animais como se fossem descartáveis, mas o que o Brasil fez historicamente é errado. Não é necessário extermínio para controlar a leishmaniose”, afirmou.

O veterinário defendeu um modelo de política de saúde global e única (one health), que passe pelo saneamento básico e o combate à pobreza e trate com dignidade e respeito os animais.

Brasil registra cerca de 4 mil casos da doença por ano

O palestrante preferiu falar em leishmanioses, explicando que, na verdade, existem vários tipos da doença causada pelo protozoário leishmania, sendo a mais grave a leishmaniose visceral, de grande incidência no Brasil.

Segundo ele, o Brasil registra, anualmente, entre 3 mil e 4 mil casos de leishmaniose visceral, figurando ao lado de países como Etiópia, Índia, Quênia, Somália e Sudão. Entre eles, um traço comum: a pobreza. Além disso, o Brasil também ocupa lugar de destaque nos casos de leishmaniose cutânea.

Outros dados importantes apontados pelo palestrante indicam que em 2014, na América Latina, foram registrados 3.600 casos humanos de leishmaniose visceral. Desses, 3.453 ocorreram no Brasil (90% do total).

Ações de combate – Durante a palestra, além de defender o investimento em campanhas educativas, saneamento básico e programas de vacinação, Vitor Márcio propôs também a isenção de impostos para a comercialização de medicamentos, como forma de reduzir o preço do produto para o consumidor, e apontou várias medidas que podem ser tomadas pela população:

  • Limpeza do ambiente, com a retirada de matéria orgânica, como folhas, frutos e flores, que facilitam a reprodução dos insetos vetores;
  • Poda de árvores, para maior insolação ambiental;
  • Utilização, nos ambientes domésticos, de plantas repelentes, como a citronela;
  • Controle da fonte de alimentação dos animais domésticos;
  • Uso de inseticidas e de colares repelentes em cães e gatos;
  • Evitar passear com os cães no horário noturno ou crepuscular, mais propício à ação dos vetores.

Deputado condena massacres e práticas cruéis

A audiência pública foi uma iniciativa do presidente da Comissão Extraordinária de Proteção dos Animais, deputado Noraldino Júnior (PSC). O parlamentar parabenizou o convidado pela palestra e criticou os prefeitos e demais administradores municipais que adotam a prática de extermínio de animais, em vez de investirem em políticas educativas e de prevenção.

“Grande parte dos gestores fazem alarde, dizendo que estão combatendo a doença ao abaterem os animais, mas não fazem o debate de forma clara e transparente e não informam à população que existem mecanismos de prevenção e combate”, afirmou.

Segundo ele, o material técnico apresentado pelo professor Vitor Márcio é de extrema importância para os ativistas combaterem os argumentos divulgados com uma visão de política pública equivocada. Noraldino Júnior ainda condenou o que classificou como massacres indiscriminados, sem critério, com práticas cruéis, em que os animais agonizam por horas.

Adriana Araújo, do Movimento Mineiro pelos Direitos Animais, enfatizou a importância da Lei 21.970, de 2016, originária do Projeto de Lei 1.132/15, do deputado Noraldino Júnior, que dispõe sobre proteção, identificação e controle populacional de cães e gatos. “Cuidar dos animais é cuidar dos humanos”, disse ela, defendendo o funcionamento de mais centros de castração em Belo Horizonte.

Maria Teresa Fonseca, defensora dos direitos dos animais e colaboradora da comissão, reivindicou mais recursos para políticas públicas de proteção aos animais e defendeu maior convergência entre governo, sociedade e militantes.

Ao final da reunião, o deputado informou que vai solicitar uma audiência pública conjunta com a Comissão de Saúde para tratar do tema.

Consulte resultado da reunião.

Fonte: ALMG



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